terça-feira, 29 de setembro de 2009

O Declínio

Estes olhos que choravam torrentes de lágrimas,

O sentimento de admiração lentamente foi embora
O amor que os encarnados, esta serenidade falsa
Não foi mais trágico do que a minha ilusão
A chamada para além do véu, dos pomares de membros
Espirais e suavemente violentas, onde os pensamentos nascem
Você possui a resposta para tudo!
Uma alma em declínio, que é o preço da vida
Para que eu virei para você, finalmente sozinho






"Quem está distante sempre nos causa maior impressão"

Charles Chaplin

Porque conhecer é decepcionar-se

domingo, 13 de setembro de 2009



Chore Por Meu Nome (Bloodbath)



Você verá

Meu inferno queimante
E não há maneira
Nos seus sonhos mais selvagens
Que você possa dizer não

Eu sufoco a sua alma
E dreno você do seu sangue de vida
A escuridão respirante aqui
O fará desaparecer
Não há volta

Eu roubo sua alma
E cavo um buraco
Bem aonde seu coração costumava ficar
Eu o vejo morrer
Eu o ouço chorar
Isso preenche a minha alma com tanto deleite

Você está perdido
Você está entrando num mundo morto
Pra onde quer que vire
Você verá seu espírito queimar
Sua vida acabou

Aqui nos domínios da morte
Onde até mesmo as sombras morrem
Eu sou o todo poderoso
Você vai chorar o meu nome
E quando você procurar por perdão
Você verá que não existe deus
E por toda eternidade
Você chorará o meu nome

Você
Chore agora

Agora é hora de retornar
Ao mundo lá em cima
E convidá-lo para queimar

Ah, aqueles que procuro
São indefesos e frágeis
Logo seus corações serão queimados como o seu.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

VERSOS ÍNTIMOS

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te a lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera

Toma um fósforo, acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro.
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa ainda pena a tua chaga
Apedreja essa mão vil que te afaga.
Escarra nessa boca de que beija!

(Augusto dos Anjos)



Senha

Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos

Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas

Eu aguento até os estetas
Eu não julgo competência
Eu não ligo pra etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades

O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Não, não gosto dos bons modos
Não gosto

Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem





Conhecer é decepcionar-se

quarta-feira, 9 de setembro de 2009




Demônio da Perdiçao


A maldade tomou conta de mim
Com seu laço diabólico e inconsequente
Meus olhos queimam em chamas negras
E o terror cega minha mente
Sinto meu sangue ferver em um mar de tristeza
Sinto meu corpo a flutuar
Pedirei a meu Senhor que me torne imortal
Para que toda minha especie eu possa dominar
Minha primeira guerra sera contra mim mesmo
E minha vitória sera contra todos ao meu redor
Pois quem me amou antes temerá meu desejo
De ressussitar as trevas e sentar em vosso altar
Sonetos de Shakespeare


Como pode querer tema minha Musa,
Se vives e ao meu verso estás doando
Teu próprio tema sem que reproduza
Algum papel vulgar tal brilho brando?
Oh! louva-te a ti mesma, se algo em mim
Achares de valor com olhar honrado;
Pois quem tão vil será que nao, enfim,
Fala de ti, se és luz de todo achado?
Se entao a Musa dez, que vale dez
Vezes do rimador as nove herdades,
E aquele que te invoca deixa a vez
Para que seu verso dure a eternidade.
Se a minha Musa vale por memória
É meu o esforço, mas é tua a glória.


O espírito dela assombra essas paredes

Minhas mãos acariciam as pedras, e sinto sua frieza, a perfurar minha pele, a arrepiar meu coração. A obscuridade mistura preto com cinza. Meus olhos cegos se abriram, para enxergar este lugar. Tudo aqui é cheio de tristeza, e tudo está a chorar. Perdido para sempre.
Eu seguro suas mãos, eu sigo você até um lugar melhor. Deixe-me estar ao seu lado.
Eu seguro suas mãos, eu posso seguir você até um lugar melhor. Deixe-me estar com você.
Entre essas ruínas de nossas vidas eu caminho mais devagar. O sofrimento dilacera, e flashes machucam. Eu vejo você em todo lugar, não consigo te esquecer.
A chuva está caindo, o vento a sussurrar. O mundo começa a ser tornar escuro, o ambiente, frio. Eu sinto sua presença, sinto seus braços em volta de mim e sua cabeça nas minhas costas. Eu matei a mim para juntar-me à você.

terça-feira, 8 de setembro de 2009



Enterrado pelo tempo e poeira

Visões dos dias que não amanhecem, a luz nunca chegará.
Estou tão velho. O escuro está perto, e eu nunca chegarei nas terras distantes.
Isto é onde iremos quando morremos?
Eu fui velho desde o nascer dos tempos. O tempo me enterrou na terra.
Séculos atrás eu saboreei sangue, mas hoje, fui enterrado pelo tempo e pela poeira.
Muitos anos se passaram desde o funeral, mas ainda sinto falta do sangue das gargantas humanas, de tantos anos, eras atrás.
Tenho que esperar, ainda o tenho. Passeando para além do espaço, passeando para além do tempo.
Um mundo de luz, e no final, a morte.
Onde só o silêncio pode ser ouvido, ninguém conhece a minha sepultura.
Fui enterrado pelo tempo, fui enterrado pela poeira.



Long Lost and Forgotten Spirit

O fogo no céu está extinto, as águas azuis já não choram mais.
A dança das árvores parou, o frescor extremo dos ventos frios já não existe mais.
A chuva parou de gotejar. Porém, gotejamento ainda existe, das veias de um garoto próximo à morte.
Uma vez, havia o ódio. Uma vez, havia o frio. Agora só existe uma tumba negra com um altar. Um altar que lhe serve como cama. Uma cama do sonho eterno.
Os sonhos dos humanos a dormir, e são sonos de alívio. Um portão afora do inferno, para além do vácuo da morte.
Um dia sua tumba será destrancada e a alma deverá retornar ao seu mundo, mas dessa vez, condenada a assombrar. Um espírito perdido e esquecido, para sempre.

A esperança vai embora.



No canto ao lado de minha janela

Há uma fotografia solitária pendurada
Não há nenhuma razão

Eu nunca percebo tal memória que poderia me lembrar
Passado por dias sem falar

Há um conforto em silêncio

Tão acostumado a perder toda a ambição

E lutando para manter o que resta
Uma vez desfeito, há só fumaça

Queimando em meus olhos para cegar

Cobrir o que realmente aconteceu

E forçar a escuridão em mim

Há uma ferida que sempre está sangrando

Há uma estrada que eu sempre estou caminhando

E eu sei que você nunca voltará a este lugar
Coração âmbar

Boneca, como é bela
Ah boneca, saiba que eu te amo
Você sorri quando eu lhe digo isso
Boneca, me dê o seu sorriso ingênuo?
Teus olhos de vidro brilham quando te acaricio
Boneca, mê de seus olhos?
Como é pura boneca
Dê-me o seu coração de âmbar?
Seja a minha boneca
Para sempre?

Ah, boneca
Vamos brincar?
Prometo não te machucar
Prometo cuidar bem da minha boneca
Não gosta??

Agora não vejo mais o seu sorriso
Teus olhos de vidro não brilham mais
Sua porcelana está rachada
E seu coração de âmbar quebrado
Boneca, não te quero mais

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

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Aos leitores:

"Lê-me, leitor, se encontras prazer em ler-me, porque muito raramente voltarei a este mundo."

(Leonardo da Vinci)
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Criança

Vi diante de mim uma criança
Haviam lágrimas em seus olhos
Sua expressão apresentava horror
Criança, do que tem medo?
Aproximei-me em forma de consolo
Mas ela brusmcanete se afastou
E caiu em prantos
Criança, por que choras?
Seus olhos fitaram os meus
E no fundo de suas íris negras
Vi meu eu refletido..

Quando foi que meu interior se tornou morto?

domingo, 6 de setembro de 2009

Untitled

There is a space that was never filled
There is a star that never shined
There is a promise that was never done
In some way you never spoken
In some way you were not wrong
And you were not right either
Mediocridade Televisiva

Estamos sentenciados?

Condenados a perder nossa dignidade ancestral

Nossos rituais estão condensados aos atos televisivos
Nossos sacerdotes foram trocados pelos Faustões
Do cotidiano pobre e desolador que gradativamente
Consome massa cinzenta
Deposita no mundo falsas poesias
Molda camadas inteiras

O que me dá em troca?

Dizem alguns por aí: "Torce que sai sangue"
São fases e faces

Amortecimento
Dizer sim é muitas vezes dizer não"
Estamos por aí sem face a desfilar pelo mundo
Sem olhar nos olhos uns dos outros

Esse medo da descoberta que nos mantém frios nos protege
De nossa própria condição deplorável
Ficamos à deriva nos Shoppings, epiléticos nas baladas
Num faz de contas que não permite a palavra

Sim, a palavra é um perigo
Ainda mais quando é acompanhada de verdades
Sim, a palavra é um perigo
Ela pode nos abrir uma brecha
Na porcelana dos rostos
E revelar almas leprosas

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Se te queres matar

Se te queres matar, por que não te queres matar?

Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por atores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!

Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...

A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é coisa depois da qual nada acontece aos outros...

Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...
Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...

Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas
vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,

E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.

Encara-te
a frio, e encara a frio o que somos...

Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência! ...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?

Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?

Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?

És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjetividade objetiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?

Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?

Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente,
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células noturnamente conscientes
Pela noturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atômica das coisas,
Pelas paredes turbihonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa



segunda-feira, 29 de junho de 2009

Sobre a Bíblia Sagrada III...


Este livro, a Bíblia, perseguiu – às vezes até a morte – os melhores e mais
sábios dentre os homens. Este livro atravancou e paralisou o progresso da raça humana. Este livro envenenou as fontes do conhecimento e descaminhou as energias do homem.
Este livro é inimigo da liberdade – apóia a escravidão. Este livrou semeou o ódio em famílias e
nações, alimentou as chamas da guerra e empobreceu o mundo. Este livro é o sustentáculo dos reis e tiranos – o escravizador de mulheres e crianças. Este livro corrompeu parlamentos e cortes. Este livro fez com que faculdades e universidades ensinassem erros e odiassem a ciência. Este livro encheu a cristandade de seitas odiosas, cruéis, ignorantes e autoritárias. Este livro ensinou o homem a matar seus semelhantes em nome de Deus. Este livro fundamentou a Inquisição, inventou instrumentos de tortura, construiu calabouços nos quais homens bondosos apodreciam, forjou as correntes que se enferrujaram envolvendo seus corpos e erigiu os patíbulos nos quais foram mortos. Este livro colocou os justos em troncos. Este livro despojou a razão da mente de milhões e encheu os asilos de malucos.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Sobre a Bíblia Sagrada II...

Há milhões de pessoas que crêem que a Bíblia é a palavra inspirada por Deus – milhões que
pensam que este livro é um báculo e um guia, um conselheiro e um consolador; que preenche o presente
com paz e o futuro com esperança – milhões que crêem que é a fonte da lei, da justiça e da clemência, e
que o mundo deve sua liberdade, riqueza e civilidade aos seus sábios e benignos ensinamentos – milhões
que acreditam que este livro é a revelação da sabedoria e do amor de Deus ao cérebro e coração do
homem – milhões que consideram este livro como uma tocha que sobrepuja a escuridão da morte e
derrama seu brilho em outro mundo – um mundo sem lágrimas.
Entretanto, esquecem-se de sua ignorância e selvageria, de seu ódio à liberdade, de sua
perseguição religiosa; lembram-se do céu, mas esquecem-se do calabouço da dor eterna. Esquecem-se
de que aprisiona a mente e corrompe o coração. Esquecem-se de que é um inimigo da liberdade
intelectual. A liberdade é minha religião. Liberdade das mãos e da mente – no pensar e no trabalhar.
Liberdade é uma palavra odiada pelos reis e amaldiçoada pelos papas. É uma palavra que despedaça
tronos e altares – que deixa a coroa sem súditos e as mãos estendidas da superstição sem esmolas.
Liberdade é a conseqüência, o fruto da justiça – o perfume da clemência. Liberdade é a semente e o solo,
o ar e a luz, o orvalho e a chuva do progresso, o amor e a alegria.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Sobre a Bíblia Sagrada I...

Alguém precisava dizer a verdade sobre a Bíblia. Os padres não ousariam, pois seriam expulsos
de seus púlpitos. Os professores nas faculdades não ousariam, pois perderiam seus salários. Os políticos
não ousariam, pois seriam derrotados. Os editores não ousariam, pois perderiam seus leitores. Os
comerciantes não ousariam, pois perderiam seus clientes. Os homens de prestígio não ousariam, temendo
perder seus admiradores. Nem mesmo os balconistas ousariam, pois poderiam ser despedidos. Então
resolvi fazer isso eu mesmo

..PARTE II

Suporto? Sim! Mas como disse, suporto a ignorância. E ressalto que ainda o faço.
Crenças, dogmas, histórias. Todas implantadas numa cabeça infantil, incapaz de distinguir o que é racional e o que não é. Tornando a lavagem cerebral muito mais rápida, fácil e eficaz. É suportável, mas somente ainda o é porque a ignorância discutida é involuntária.
O que não me convém a ser suportável, é a série de consequências que essa falta de racionalidade traz para os indivíduos, reflete na sociedade e acaba, por fim, afetando diretamente e indiretamente à mim, à minha família e aos meus amigos.

segunda-feira, 22 de junho de 2009


..PARTE I

Desde que me tenho por ser consciente, vivo rodeada de mentira.
Mentira sabida por poucos, que a fazem doutrina manipulatória. E doutrina seguida por muitos, que a transformam num modelo, num padrão correto a ser seguido.
Mas não os culpo. E de fato ainda suporto essa ignorância..


“Nunca se escreve senão para viver, a fim de fazer frente a uma situação, para explicar, justificar-se, informar, dirigir-se a, apelar, queixar-se, sofrer menos, fazer-se, dar-se prazer”
(Geneviève Bolleme)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Carta de um suicida Parte IIII

Não quero que lembrem de mim como um covarde, quero que lembrem de mim como alguém que teve coragem suficiente para assumir um fato já consumado e torná-lo finalmente físico. Alguém que resolveu dar um salto em meio a toda amargura e desespero, que abriu os braços e pulou daquela cachoeira, fugindo dos zumbis que o circundavam, que também estavam mortos, sendo que ao contrário de mim, eles mentiam pra si mesmos sobre isso.

Desvanecendo afastado na névoa


Morto, embaixo de um céu noturno me encontro, a olhar para essas estrelas brilhantes. Meus olhos as contemplam. Minha força desaparece.
Tudo está em torno de mim, e eu sinto a natureza se movimentando. Como lobos que rasgam a cortina da noite, o frio ascende em meu cadáver. Minha alma está andando para sua libertação, lacero meu corpo afim de libertá-lo.
Levanto-me do mundo natural, o esplendor da escuridão. Olho para trás, e encontro meu corpo de pulsos abertos. Na minha frente, um caminho de neve se abre. No fundo, distante, eu vejo uma luz. Uma luz que eu jamais alcançarei.
A névoa está se levantando do solo e alguns seres espectrais aparecem. Eles me conduzem para longe deste lugar de sofrimento. Conheço cada um deles, são memórias triste de meu passado.
Leva-me para longe deles, pois essa presença é insuportável. Leva-me para longe de minha tristeza. Eu me matei para fugir disso tudo!
Por que vocês não me deixam em paz?
Me deixem sozinho!
Deixem meu espírito desvanecer afastado em névoa..

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Carta de um suicida Parte III


Por dentro jaz o que outrora foi um sonhador, visionário, otimista e desafiador. Simplesmente acomodei-me com a dor, lutar só a aumentava, parar de me debater poupou o mínimo para que eu tivesse uns poucos momentos de satisfação na minha vertiginosa queda rumo ao abismo que me encontro. Meu rosto sem expressão, essa melancolia estampada em meu ser de forma residente é o fedor que ultrapassa a barreira metafísica e se manifesta no físico. Já não consigo dormir, pensar, sonhar, amar. Estou morto! E sou ateu o suficiente pra reconhecer que a fábula da ressurreição de Lázaro é apenas um conto literário como qualquer outro, como a minha vida que não passou de uma piada de mau gosto.

Não culpo ninguém e culpo tudo e a todos. Foi o momento, a situação, as mazelas absorvidas ao longo de anos de humilhação, lutas, esforços, todos em vão.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

In my last mourning - Thy Light


O relógio nas mãos prega, em meu peito sinto pulsando toda a agonia de mais um dia neste mundo de escuridão. Pelas minhas narinas corre o cheiro de minha própria morte, imprimida no céu cinzento de domingo. Eu me mato, tomo minha vida...
Em meu último lamento eu percebo, que eu sempre fui o nada que temia me tornar a ser.

Carta de um suicida Parte II


É, eu morri por dentro. Por favor, não se sintam culpados, não havia nada que vocês poderiam ter feito pra me ajudar, e talvez até tentassem se eu desabafasse com alguém minha intenção de fazer o que devo ter feito já que estão lendo minha despedida.

Várias coisas me mataram aos poucos por dentro, consumiram minha vontade de tentar. As coisas muitas vezes dão errado e aquela história de que “Deus sabe o que faz” ajuda por um tempo, engana um pouco a gente e faz com que tenhamos a esperança que um dia as coisas vão mudar de figura, que vai pra frente, mas às vezes não vai, essa desculpa ficou tão vazia pra mim quanto o conceito de Deus, ou ele está em algum universo paralelo ou está muito alto lá em cima que meus soluços e gritos por clemência não conseguiram acordá-lo.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Carta de um suicida

O que dizer a vocês amigos?

Sinto-me perdido e covarde, talvez pela concepção geral de que isso é uma fuga, um não querer enfrentar os fatos e dar a volta por cima. Não concordo muito com essa concepção, o que dizer dos etíopes? São covardes, burros e preguiçosos por morrerem de aids e inanição? Será que do mesmo jeito que se alimenta o corpo com proteínas, vitaminas sais e água também não devemos alimentar a mente pra que não morramos por dentro e apenas completemos o processo com o corpo?

sexta-feira, 12 de junho de 2009